Até a década de 80 e início da década de 90 a NBA ainda era muito pouco difundida no Brasil. Quase nada chegava até o grande público, as informações eram restritas a alguns lances e não havia internet para disseminar o assunto em grandes proporções. Apenas em 1992 que a Rede Bandeirantes de Televisão passou a transmitir as finais da NBA e mais para frente alguns All-Star Games em TV aberta. Algo bastante significativo, visto que hoje em dia o evento é transmitido apenas na TV à cabo.
Como a maioria dos aficionados por basquete e apaixonados pela liga mais famosa do mundo eu não perdia uma partida na Rede Bandeirantes, e vibrava nas vezes em que lances maravilhosos de Larry Bird, Magic Johnson, Kareem Abdul-Jabbar e Michael Jordan, ainda em início de carreira, apareciam na TV. Mas, meu sonho era assistir a um jogo ao vivo, in loco.
Este sonho acabou virando realidade em 1994, quando fui para Miami e pude ver um acalorado confronto entre Miami Heat e New York Knicks. Para melhorar ainda mais a situação, tive a sorte de me hospedar no mesmo hotel em que estava a equipe dos Knicks. Lembro que fui um dos poucos a conseguir autógrafos do armador John Starks e da lenda Patrick Ewing. Detalhe engraçado: logo que Ewing chegou no hotel fui correndo pedir o autógrafo e ele me ignorou. Fiquei frustrado e provavelmente fiz cara feia para ele. Logo depois ele me chamou. Achei que iria apanhar, mas surpreendentemente ele me deu o único autógrafo daquela tarde e pegou o elevador. Alguns fãs me ofereceram dinheiro pelo autógrafo, mas claro que recusei.
O evento foi inesquecível. Fiquei chocado com a organização perfeita do show. Sim, um show, pois além do jogo em si existiram diversas outras atrações que prendem a atenção do espectador que quase não sente o tempo passar. Além disso, ficou registrado na minha mente a imagem de torcedores de ambas as equipes vendo o jogo lado a lado, sem brigas ou ofensas. Algo incabível e impensável, infelizmente, no nosso futebol.
Ah, e a partida foi incrível. Lembro que os Knicks ganhavam por quase 20 pontos de diferença, com atuações fabulosas de Ewing, Charles Oakley e Greg Anthony. Entretanto, nos dois últimos períodos o Miami tirou toda aquela vantagem e virou a partida, vencendo por 96 a 85, para alegria de uma torcida que estava no mínimo empolgada. Tal façanha foi possível graças ao trio Steve Smith, Glen Rice e especialmente o pivô Rony Seikaly, que fez um duelo sensacional com Ewing.
Desde aquela noite, passei a ter carinho especial tanto pelo Miami Heat quanto pelo New York Knicks (com leve vantagem para o time da Flórida, confesso), afinal marcaram minha vida e contribuíram para que a paixão pela liga fosse cada vez maior.
Sempre que vou para os Estados Unidos ou Canadá (onde fiz intercâmbio) tento assistir a um jogo da NBA. Até agora foram cinco (um em Miami, dois em Orlando, um em New York e outro em Toronto, no Canadá) e pretendo aumentar esse número sempre que possível.
Assistir a uma partida da NBA é algo inesquecível, seja para um fã ardoroso quanto para alguém que quer entretenimento e muita emoção. Eu recomendo.
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